Editorial | 21/04/2020

É difícil nos tempos de hoje não falar da pandemia. Ainda mais não falar da quarentena. Já pintei o portão, já cortei a grama, já plantei, já podei, já vi televisão, já vi filme, já vi série, já fiz atividade da escola, já fiz atividade de trabalho, já estudei música, já li livro, já li quadrinhos, já não fiz nada, já tentei fazer tudo.

Apesar de ver nas ruas, pessoas que parecem estar alheias a tudo isso, quem se esforça para não disseminar o vírus a sério, mudou seu modo de vida consideravelmente. É quase como viver em outra sociedade. Em um país distante e de cultura rígida, que você é obrigado a se adaptar. Você também teve essa sensação? Novos tempos, novas regras de convivência, mais cuidado, nada mais é tão automático, é preciso pensar antes de agir, ou de como não agir… O que faz lembrar por um breve momento que  uma nova  sociedade é possível, uma realidade em que se preocupar com o próximo é a diretriz principal. Mas toda essa fantasia utópica se desmancha ao sair de casa e, simplesmente, verificar que você é a exceção, não a regra. Aliás, eu sempre fui, mas desta vez não queria ser.

O Paquiderme PunK é o nosso símbolo de exceção… A  nossa luta solitária de fazer o que acha certo e justo – e isso significa ir contra a sociedade, contra todos os já doentes da cabeça e da alma, podre pelo individualismo egocêntrico, babaca e idiota do “humano comum”.

“A quarentena nos prende, mas ao mesmo tempo nos liberta.” Rato Porquera.

Um abraço paquidérmico e até mais.